Baterias de lítio, conectividade via aplicativo e sistemas de recuperação de energia avançam nas motos elétricas
O segmento de motos elétricas vive um momento de expansão acelerada no Brasil. Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), os emplacamentos desse tipo de veículo cresceram 47,26% no primeiro trimestre de 2026, saltando de 3.453 unidades no mesmo período de 2025 para 5.085 neste ano. No mesmo intervalo, o mercado total de motocicletas avançou 20,61%, somando 571.610 unidades.
Ainda que representem menos de 1% do total de motos vendidas no país, os modelos elétricos já crescem em ritmo superior ao das motos convencionais. Levantamentos mais recentes do primeiro semestre de 2026 mostram que a participação dos elétricos no volume geral passou de 0,53% em 2025 para 1,19% neste ano, o que indica uma trajetória de evolução consistente à medida que a infraestrutura de recarga se expande pelo país.
O avanço é impulsionado por fatores como eficiência operacional, redução de custos de transporte e evolução tecnológica, os mesmos elementos que também explicam o crescimento dos carros elétricos. Fabricantes têm ampliado seus portfólios com opções voltadas a diferentes perfis de consumidor, incluindo modelos urbanos premium com design mais sofisticado e recursos de conectividade.
Conectividade e novos recursos embarcados
Um exemplo desse movimento é a Yadea, líder global no segmento de veículos elétricos de duas rodas, que vem expandindo sua atuação no Brasil com investimentos na produção em Manaus e ampliação da rede de concessionárias. Entre os modelos estratégicos da marca está a Keeness, inspirada no conceito das motocicletas naked urbanas, equipada com duas baterias de lítio de 72V e 32Ah, motor central com potência de pico de 11.000 W, sistema de recuperação de energia e baterias removíveis.
Recursos como painel digital, alarme antifurto e conectividade via aplicativo já aparecem em boa parte dos lançamentos recentes, aproximando os modelos elétricos do universo tecnológico das motos convencionais. Alguns fabricantes também têm investido em smart controllers, que conectam a moto ao smartphone do condutor e fornecem informações sobre autonomia, velocidade e desempenho durante o trajeto.
A bateria continua sendo o componente mais determinante de uma moto elétrica. Os modelos de lítio se destacam por serem mais leves, duráveis e eficientes que as antigas baterias de chumbo ácido, além de suportarem recargas parciais sem comprometer a vida útil. No uso urbano, a autonomia média das motos elétricas no Brasil varia entre 50 km e 120 km por carga, dependendo da capacidade da bateria e do estilo de condução.
Marcas que lideram o setor no país
Segundo dados da Fenabrave, cinco marcas concentram cerca de 67% das vendas de motos elétricas no Brasil atualmente. A VMoto ocupa a posição de liderança, com portfólio voltado ao uso urbano e o modelo CPx, que alcança até 130 km de autonomia quando equipado com duas baterias, sendo bastante utilizado por entregadores.
Outras marcas relevantes no setor incluem a Watts, que assumiu posição de destaque entre as emergentes após a saída da Voltz do mercado, e a Shineray, que se consolidou como a única fabricante de grande porte a disputar espaço diretamente com marcas tradicionais como Honda e Yamaha também no segmento elétrico. A Watts oferece modelos com motor Bosch e opção de bateria extra, enquanto a TC Max da marca chega a 140 km de autonomia.
O que esperar da eletrificação nos próximos anos
A tendência é que o setor ganhe ainda mais relevância à medida que a fiscalização sobre ciclomotores e veículos autopropelidos se intensifica, favorecendo modelos já regularizados e com documentação em dia. A combinação de economia no consumo, sustentabilidade e praticidade para o uso urbano segue como o principal argumento das fabricantes para atrair novos consumidores.
Para viagens longas ou uso intenso em estrada, as motos a combustão ainda levam vantagem, especialmente pela autonomia e pela agilidade no reabastecimento. Mas o cenário tende a mudar de forma gradual, com o avanço das tecnologias de bateria e a ampliação da oferta de modelos elétricos no mercado nacional.
A Fenabrave mantém uma expectativa de crescimento de cerca de 10% para o mercado de duas rodas em 2026, com estimativa de fechar o ano acima de 2,4 milhões de unidades comercializadas, incluindo tanto motos a combustão quanto elétricas. O resultado reforça que a eletrificação, embora ainda em estágio inicial, já é parte do planejamento das principais montadoras que atuam no país.
Fontes consultadas:
https://canaltech.com.br/carros/emplacamento-de-motos-eletricas-dispara-no-brasil-em-2026/
https://autoinforme.com.br/motos-eletricas-avancam-no-brasil
https://www.balcaoautomotivo.com/2026/07/03/segmento-de-veiculos-eletricos-de-duas-rodas-amplia-presenca-no-brasil/
https://newsmotor.com.br/5-marcas-de-motos-eletricas-mais-vendidas-e-populares-do-brasil-em-2026/
https://qgdoautomovel.ncnews.com.br/2026/07/03/mercado-motos-brasil-1-semestre-2026/
