Fábricas do Polo Industrial de Manaus produziram 932,5 mil motos entre janeiro e maio, enquanto emplacamentos chegaram a quase 1 milhão de unidades no período.
A indústria brasileira de motocicletas mantém um ritmo acelerado em 2026. Entre janeiro e maio, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 932.522 motocicletas, volume 10,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado representa o segundo melhor desempenho da história para os cinco primeiros meses do ano, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). (Abraciclo)
O avanço da produção acompanha o crescimento da demanda brasileira por veículos de duas rodas. No mesmo período, foram 980.095 motocicletas emplacadas no país, alta de 15,3% em relação aos cinco primeiros meses de 2025. De acordo com a Abraciclo, esse foi o melhor resultado da série histórica para o período. (Abraciclo)
Os números mostram que o mercado de motos atravessa um momento de expansão, impulsionado por fatores como mobilidade urbana, utilização profissional das motocicletas e busca por veículos de menor custo de aquisição e manutenção.
Produção cresce nas fábricas de Manaus
Somente em maio, as fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 186.714 motocicletas. O volume representa crescimento de 8,2% em comparação com maio de 2025 e alta de 1,3% sobre abril deste ano. (Abraciclo)
A produção concentrada em Manaus tem grande importância para a indústria brasileira de duas rodas. O polo reúne fabricantes responsáveis por praticamente toda a produção nacional de motocicletas e movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviços.
O resultado acumulado até maio também demonstra que as fabricantes conseguiram manter um ritmo elevado durante os primeiros meses do ano. Segundo a Abraciclo, o desempenho reflete a capacidade da indústria de acompanhar o aumento da demanda por motocicletas no mercado brasileiro. (Abraciclo)
A entidade projeta que o setor continue crescendo ao longo de 2026. A previsão é de que as fábricas do Polo Industrial de Manaus produzam aproximadamente 2,07 milhões de motocicletas durante todo o ano, alta de 4,5% em relação às 1,98 milhão de unidades produzidas em 2025. (Abraciclo)
Vendas também atingem nível recorde
Enquanto a produção avança, o mercado consumidor apresenta números ainda mais fortes. Entre janeiro e maio, foram licenciadas 980.095 motocicletas no Brasil, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. (Abraciclo)
Em maio, os emplacamentos chegaram a 197.731 unidades, alta de 2,2% na comparação com maio de 2025. Em relação a abril, entretanto, houve queda de 6,1%, mostrando que o crescimento não ocorre de maneira uniforme todos os meses. (Abraciclo)
Mesmo com a retração mensal, o acumulado do ano permanece em nível recorde. A média diária de vendas em maio foi de 9.887 motocicletas, considerando os 20 dias úteis do mês. (Abraciclo)
A diferença entre produção e vendas também chama atenção. Enquanto foram fabricadas 932,5 mil motos até maio, os emplacamentos chegaram a 980,1 mil. Os números refletem a dinâmica do mercado, que também envolve estoques e motocicletas produzidas anteriormente.
Quais motos estão puxando a produção?
Entre as categorias fabricadas pelas empresas associadas à Abraciclo, as motocicletas do tipo Street lideraram o mercado nos cinco primeiros meses de 2026. Foram 476.422 unidades, correspondentes a 51,1% da produção acumulada. (Abraciclo)
Na sequência aparecem as motocicletas Trail, com 20,1% do total produzido, e as Motonetas, que responderam por 13% da produção. As três categorias permaneceram nas primeiras posições também no resultado específico de maio. (Abraciclo)
As motocicletas de menor cilindrada continuam representando a maior parte da fabricação nacional. Entre janeiro e maio, foram produzidas 730.291 unidades de baixa cilindrada, equivalentes a 78,3% do total fabricado no Polo Industrial de Manaus. (Abraciclo)
Os modelos de média cilindrada responderam por 18,7%, enquanto as motocicletas de alta cilindrada representaram 3% da produção acumulada no período. (Abraciclo)
Apesar de representar uma parcela menor do mercado, o segmento de alta cilindrada apresentou um crescimento expressivo. A produção desses modelos aumentou 41,9% nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. (Abraciclo)
Por que o mercado de motos está crescendo?
Um dos fatores associados ao crescimento é a busca por alternativas de mobilidade em cidades brasileiras. As motocicletas ocupam menos espaço nas vias, apresentam consumo de combustível geralmente inferior ao de automóveis e podem ter custos de aquisição e manutenção mais baixos.
O veículo também possui forte presença entre trabalhadores que utilizam motocicletas profissionalmente. Entregadores, prestadores de serviços e profissionais que dependem de deslocamentos rápidos estão entre os grupos que ajudam a sustentar a demanda.
Outro fator é a expansão do uso da motocicleta para diferentes finalidades. Além do transporte diário, modelos de maior cilindrada vêm ganhando espaço entre consumidores interessados em viagens e lazer.
A própria Abraciclo aponta que o crescimento das motocicletas de alta cilindrada está relacionado à diversificação do perfil de utilização. Esses modelos são procurados por consumidores interessados em desempenho, conforto, lazer e viagens. (Abraciclo)
A combinação desses fatores ajuda a explicar por que o mercado permanece aquecido mesmo diante de desafios econômicos que afetam o consumo de bens duráveis.
Exportações também avançam
O crescimento não está restrito ao mercado interno. Entre janeiro e maio, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus exportaram 19.094 motocicletas, alta de 22,8% em relação ao mesmo período de 2025. (Abraciclo)
Em maio, foram exportadas 4.169 unidades, crescimento de 23,4% na comparação anual e de 19,7% em relação a abril. (Abraciclo)
Apesar de o mercado brasileiro ser o principal destino da produção, o avanço das exportações mostra que as fabricantes também estão ampliando sua presença internacional.
Para a indústria instalada em Manaus, esse movimento pode ajudar a diversificar mercados e aumentar a utilização da capacidade produtiva. A expansão das exportações também contribui para movimentar fornecedores e outros segmentos ligados à cadeia industrial.
Impacto na economia e no emprego
O crescimento da produção de motocicletas tem efeitos que vão além das fábricas. A indústria movimenta fornecedores de peças, componentes, equipamentos, logística, distribuição, concessionárias, oficinas e serviços especializados.
A Abraciclo destaca que o setor de duas rodas possui impacto sobre investimentos, geração de empregos, arrecadação e fortalecimento da cadeia produtiva. A entidade informa que as fabricantes do setor geram mais de 21,8 mil empregos diretos em Manaus e mais de 154 mil em todo o Brasil. (Abraciclo)
O Polo Industrial de Manaus, nesse contexto, exerce papel central na produção nacional. A concentração das fábricas na região transforma o desempenho do setor de motocicletas em um componente importante da atividade industrial do Amazonas.
Para os consumidores, o aumento da produção pode ajudar a garantir maior disponibilidade de modelos nas concessionárias, embora preços, condições de financiamento e custos de operação continuem sendo fatores decisivos para a compra.
O que esperar para o restante de 2026?
A projeção da Abraciclo indica que o mercado deverá continuar crescendo. A entidade estima 2,07 milhões de motocicletas produzidas e 2,3 milhões de unidades licenciadas em 2026. (Abraciclo)
A previsão representa crescimento de 4,5% na produção e de 4,6% nos emplacamentos em relação a 2025. As exportações também devem avançar, com estimativa de 45 mil motocicletas destinadas ao mercado externo durante o ano. (Abraciclo)
O desempenho efetivo, porém, dependerá do comportamento da demanda, das condições de crédito, dos custos de produção e da situação econômica ao longo dos próximos meses.
Até maio, os indicadores apontam para um cenário favorável. A produção ultrapassou 930 mil unidades, as vendas chegaram perto de 1 milhão e as exportações cresceram mais de 20% no acumulado.
Os números reforçam a importância das motocicletas no mercado brasileiro de mobilidade. Com produção concentrada no Polo Industrial de Manaus e demanda distribuída por todo o país, o segmento começa o segundo semestre de 2026 em ritmo elevado.
Se a previsão da Abraciclo se confirmar, o Brasil poderá encerrar o ano com mais de 2 milhões de motocicletas produzidas, consolidando 2026 como mais um período de expansão para a indústria de duas rodas. (Abraciclo)
