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    Gestão de riscos jurídicos em cinco etapas para empresas

    Tatiana KorenvaPor Tatiana Korenva15 outubro, 20264 Mins de leitura
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    Gilmar Stelo
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    Segundo o Doutor Gilmar Stelo, especialista na área jurídica, contencioso e administrativo, boa parte dos processos que chegam às empresas poderia ter sido evitada meses antes, ainda na rotina do negócio. A gestão de riscos jurídicos é exatamente a prática de identificar, medir e tratar essas exposições antes que elas se transformem em ação judicial, multa administrativa ou passivo trabalhista.

    O problema é que, em muitas organizações, o tema só entra na pauta quando a notificação já chegou. Nesse ponto, qualquer solução custa mais caro e deixa menos margem de escolha. Organizar o trabalho em etapas permite que empresas de diferentes portes saiam do modo reativo. Se o jurídico da sua empresa ainda é acionado apenas depois que o problema aparece, as etapas a seguir mostram por onde começar a inverter essa lógica.

    Mapear onde a empresa está exposta

    O primeiro passo é fazer um inventário das áreas em que a empresa pode sofrer questionamento legal. Contratos com clientes e fornecedores, relações de trabalho, obrigações tributárias, direito do consumidor, tratamento de dados pessoais sob a LGPD e exigências regulatórias do setor costumam compor esse mapa. O levantamento funciona melhor quando envolve quem executa cada rotina, porque é no dia a dia que as falhas aparecem.

    Um erro comum nessa fase é olhar apenas para os processos já em andamento. Os riscos mais relevantes muitas vezes estão em práticas consideradas seguras justamente por nunca terem gerado conflito, como observa Gilmar Stelo. Um modelo de contrato usado há anos sem revisão, por exemplo, pode conter cláusulas que não acompanham a legislação atual.

    Classificar os riscos por probabilidade e impacto

    Com o mapa em mãos, cada risco precisa ser avaliado em duas dimensões: a chance de se concretizar e o tamanho do prejuízo caso aconteça. O cruzamento dessas duas medidas forma uma matriz simples. Ela separa o que exige ação imediata do que pode ser apenas monitorado.

    Essa classificação também evita que o orçamento jurídico seja distribuído de forma uniforme entre problemas de pesos muito diferentes. Concentrar esforço nos riscos de alto impacto, mesmo quando parecem pouco prováveis, é o que dá eficiência à prevenção, na leitura do escritório Stelo Advogados. Uma autuação fiscal rara, mas de valor elevado, pode merecer mais atenção do que reclamações frequentes e de baixo custo.

    Gilmar Stelo
    Gilmar Stelo

    Definir uma resposta para cada risco

    Classificar não basta. Para cada exposição relevante, a empresa precisa decidir o que fará: eliminar a atividade que gera o risco, reduzir a chance de ele ocorrer, transferi-lo a terceiros por meio de seguros ou cláusulas contratuais, ou aceitá-lo de forma consciente. Cada escolha tem custo e precisa ser registrada.

    Aceitar um risco é uma decisão legítima, desde que tomada com informação, e é nesse contexto, ressalta Gilmar Stelo, que muitas empresas falham; convivem com exposições que ninguém chegou a avaliar. A diferença entre assumir um risco e ignorá-lo aparece no momento de responder a um questionamento judicial.

    Transformar decisões em rotina documentada

    As respostas definidas só produzem efeito quando viram procedimento. Isso inclui fluxos de aprovação de contratos, políticas internas escritas, controle de prazos legais, treinamento das equipes e canais para reportar irregularidades. Sem essa camada operacional, o plano fica restrito a um documento arquivado.

    A documentação cumpre ainda uma segunda função, frequentemente subestimada. Em uma disputa, demonstrar que a empresa adotou cuidados razoáveis pode reduzir condenações ou afastar a responsabilidade, pondera o Doutor Gilmar Stelo. Registros de decisões, atas e evidências de treinamento passam a ser parte da defesa.

    Revisar o mapa com frequência

    A legislação muda, o negócio se expande e novos riscos surgem. Um mapa elaborado há dois anos dificilmente reflete a realidade atual da empresa. Por isso, a revisão precisa ter periodicidade definida e responsáveis claros, além de indicadores que mostrem se a gestão está funcionando, como o número de notificações recebidas, acordos firmados e condenações sofridas.

    Esses números revelam tendências que a percepção do dia a dia não capta. Quando um tipo de reclamação volta a crescer, o mapa precisa ser atualizado antes que a repetição se transforme em passivo, avalia o Stelo Advogados Associados. Tratada como ciclo contínuo, a gestão de riscos jurídicos deixa de ser uma reação a crises e passa a orientar decisões do próprio negócio.

     

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