O mercado de motos em setembro de 2026 ficou praticamente estável no Brasil, em contraste com o desempenho positivo do setor automotivo como um todo. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados em 5 de outubro, mostram que o segmento de motocicletas recuou 0,09% na comparação com agosto e 0,41% em relação a setembro de 2025.
As variações foram consideradas próximas da estabilidade pela entidade. O resultado indica uma acomodação momentânea nas vendas de motos, mesmo em um mês marcado pelo recorde dos emplacamentos gerais de veículos. A diferença entre os dois desempenhos é o principal destaque do levantamento e ajuda a dimensionar o comportamento específico das motocicletas no mercado brasileiro.
Emplacamentos gerais superam 500 mil unidades
O Brasil registrou 509.686 emplacamentos de veículos em setembro de 2026. Segundo a Agência Brasil, com base nos dados da Fenabrave, esse foi o melhor resultado já registrado para o mês de setembro.
O volume representa crescimento de 8,32% na comparação com setembro do ano anterior e alta de 1,15% ante agosto. O avanço do mercado total, portanto, não foi acompanhado na mesma intensidade pelo segmento de duas rodas, que apresentou pequenas quedas tanto na comparação mensal quanto na anual.
Essa diferença não significa necessariamente uma mudança estrutural na procura por motocicletas. O dado de setembro retrata um período específico e, isoladamente, não permite concluir que o segmento tenha entrado em trajetória de queda. Para fabricantes, concessionárias e consumidores, o resultado funciona principalmente como um sinal de estabilidade após o desempenho observado nos meses anteriores.
Crédito continua no centro do cenário
A Fenabrave avalia que o mercado de veículos novos continua apresentando demanda, apesar de um ambiente de crédito ainda complexo. As condições de financiamento têm influência direta sobre a decisão de compra, especialmente em categorias nas quais uma parcela relevante dos consumidores depende de crédito para adquirir um veículo.
Em comunicado publicado em 2 de setembro, a Fenabrave relacionou o comportamento positivo do mercado à redução gradual da taxa Selic e à manutenção de um mercado de trabalho aquecido. Esses fatores podem contribuir para melhorar a confiança dos consumidores e apoiar novas compras, embora o efeito sobre cada segmento possa ocorrer em ritmos diferentes.
O comunicado da entidade sobre agosto também apontava crescimento nos segmentos de automóveis, comerciais leves e motocicletas, com resultados que, em alguns casos, ficaram acima do projetado. A leitura dos dados de setembro mostra, porém, que o desempenho geral do setor não se distribuiu de maneira uniforme entre todas as categorias.
Projeção para o mercado em 2026
Mesmo diante da estabilidade das motocicletas em setembro, a Fenabrave manteve a projeção de crescimento de aproximadamente 8,6% nos emplacamentos totais em 2026. A expectativa da entidade é superar 5,3 milhões de unidades comercializadas ao longo do ano.
A projeção ainda poderá ser revisada em novembro, após a análise dos resultados de outubro. A atualização será importante para verificar se o ritmo observado no terceiro trimestre se sustenta nos meses seguintes e se o segmento de motos volta a acompanhar, com mais intensidade, o crescimento do mercado automotivo geral.
Para o consumidor, o cenário reforça a importância de avaliar as condições de financiamento, os custos de manutenção e o uso pretendido antes da compra. Para as concessionárias, a estabilidade nas motocicletas mantém a necessidade de acompanhar de perto a demanda regional e a disponibilidade de crédito.
O resultado de setembro, portanto, combina dois movimentos distintos: o mercado brasileiro de veículos alcançou um recorde para o mês, enquanto as motocicletas permaneceram praticamente no mesmo nível dos períodos de comparação. Os próximos dados deverão indicar se essa acomodação foi pontual ou se representa uma tendência mais prolongada no mercado de duas rodas.
