A transformação digital mudou profundamente a função dos profissionais responsáveis por operações de tecnologia, comenta Rolando Bonaccorsi, líder em IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações. Durante muito tempo, o gestor de operações foi associado principalmente ao acompanhamento de processos, resolução de incidentes e garantia do funcionamento dos sistemas. Atualmente, esse papel ganhou uma dimensão mais estratégica, envolvendo decisões relacionadas à inovação, eficiência, experiência do usuário e geração de valor para o negócio.
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Por que o controle tradicional perdeu espaço nas operações de tecnologia?
Durante anos, a gestão operacional esteve fortemente ligada ao monitoramento de atividades, cumprimento de procedimentos e acompanhamento de indicadores técnicos. Essas práticas continuam importantes, mas a velocidade das mudanças digitais mostrou que controlar processos existentes não é suficiente para garantir eficiência e competitividade. As empresas passaram a precisar de profissionais capazes de interpretar cenários, identificar oportunidades e orientar decisões.
Segundo Rolando Bonaccorsi, o crescimento dos serviços digitais aumentou a dependência das organizações em relação à tecnologia. Uma falha em sistemas críticos pode afetar clientes, receitas e reputação em poucos minutos. Nesse ambiente, o gestor de operações precisa atuar antes do problema acontecer, utilizando informações disponíveis para prever riscos, melhorar processos e criar estruturas mais resilientes.
A mudança de mentalidade envolve substituir uma atuação predominantemente reativa por uma abordagem preventiva e estratégica. O objetivo deixa de ser apenas manter sistemas funcionando e passa a incluir a construção de operações capazes de acompanhar o crescimento do negócio. A eficiência operacional passa a ser vista como uma vantagem competitiva, não apenas como uma necessidade técnica.
Como a liderança operacional passou a influenciar decisões de negócio?
O novo cenário exige que gestores de operações compreendam o impacto da tecnologia além dos aspectos técnicos. Indicadores como disponibilidade, desempenho e tempo de resposta continuam relevantes, mas precisam ser conectados aos resultados empresariais. Uma operação eficiente deve contribuir para melhorar experiências, reduzir desperdícios e acelerar iniciativas estratégicas.
Como destaca Rolando Bonaccorsi, a análise de dados ganhou papel central nesse processo. Informações coletadas sobre sistemas, usuários e processos permitem identificar padrões, antecipar gargalos e direcionar investimentos com maior precisão. O gestor deixa de atuar apenas como responsável pela estabilidade tecnológica e passa a participar de decisões que influenciam diretamente o futuro da organização.
Quais competências definem o gestor de operações do futuro?
A automação e a inteligência artificial estão transformando atividades que antes consumiam grande parte da rotina operacional. Processos de monitoramento, identificação de falhas e análise de grandes volumes de dados podem ser realizados com maior velocidade por ferramentas inteligentes. Nesse cenário, o papel do gestor muda de executor direto para estrategista responsável por orientar pessoas, tecnologias e processos. Essa transformação permite que líderes de operações dediquem mais tempo à análise de cenários, planejamento de melhorias e criação de soluções capazes de aumentar a eficiência da organização.
Rolando Bonaccorsi informa que a capacidade de liderar mudanças também ganhou importância. A adoção de novas ferramentas, modelos operacionais e metodologias exige profissionais preparados para conduzir equipes em períodos de adaptação. A tecnologia pode oferecer recursos avançados, mas os resultados dependem da capacidade das pessoas em incorporar novas práticas ao cotidiano. A transformação operacional envolve não apenas investimentos em sistemas, mas também comunicação, treinamento e construção de uma cultura aberta à inovação.
Outro aspecto essencial é a visão de longo prazo. Operações maduras não são construídas apenas para resolver necessidades atuais, mas para sustentar o crescimento futuro. Isso envolve criar processos escaláveis, desenvolver talentos, fortalecer a governança e estabelecer uma cultura de melhoria contínua. O gestor estratégico entende que excelência operacional é uma construção permanente. Essa perspectiva permite que empresas estejam mais preparadas para mudanças do mercado, novos modelos de negócio e demandas tecnológicas cada vez mais complexas.
